Os atingidos pela Samarco em Mariana, que ainda vivem na zona rural, nas proximidades por onde o tsunami de rejeito de minério passou e que ainda convivem com os impactos trazidos pela lama, fizeram no mês de maio uma série de reuniões para organizar e levantar suas pautas de reivindicações.

Nesta quarta-feira (30), quase 1 ano e 7 meses após o rompimento da barragem, cerca de sessenta atingidos moradores da zona rural apresentaram em reunião à mineradora Samarco sua pauta de reivindicações. Entre as solicitações dos moradores estão, principalmente, questões estruturais, como: possibilidade de autoconstrução das casas, prazo menor do que 16 meses para entrega dos domicílios, como é colocado pela empresa, direito a um novo terreno fora da área da lama da barragem de Fundão e fora do risco da barragem de Germano, novas estruturas comunitárias, asfaltamento de estradas atingidas pela lama, entre outras.

Depois de ouvir as reivindicações da população a empresa alertou que precisa debater internamente as propostas apresentadas pelos atingidos, mas não deu resposta do que será feito concretamente. “Podemos até marcar a próxima reunião em 20 dias, mas empresa irá trazer respostas concretas para a gente ou não?”, questionou Marlene, atingida na comunidade de Pedras e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Apesar do tempo decorrido do rompimento da barragem, foram apresentadas também questões de caráter emergencial como dificuldade de acesso de água para animais, instabilidade da energia elétrica, manutenção de estradas atingidas pela lama, problemas de saúde advindos do estresse provocado pela perda do modo de vida e com o contato direto com a lama.

Durante a reunião a empresa sinalizou a aceitar a possibilidade da autoconstrução das casas para as famílias que assim desejarem. Essa probabilidade era rejeitada pela empresa até a data da reunião. No entanto, a efetivação dessa conquista ainda ficou como questão a ser debatida na próxima reunião.

No decorrer da reunião, os atingidos se colocavam para falar e mais problemas resultantes da passagem da lama vinham à tona. Como colocado pelo militante do MAB, Antônio Claret, “Pela agitação e angústia dos atingidos, pela quantidade de problemas relatados na reunião e pela dificuldade da empresa em compreendê-los, parece que a barragem rompeu há poucos dias”.

            Os atingidos seguem organizados para garantir os próximos passos na garantia dos seus direitos. 

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