O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou na tarde desta quarta-feira (18) mais uma reunião de negociação com a Samarco Mineração S.A (Vale\BHP Billiton), na cidade de Barra Longa. Atingidos de todas as regiões da cidade estavam presentes. Um dos objetivos foi pressionar a empresa para que ela respondesse às muitas reivindicações pendentes no município.

Para abrir a reunião, Thiago Alves, membro da coordenação do MAB em Minas Gerais, fez uma fala apresentando a posição do Movimento sobre o atual momento político do Brasil. Denunciou o golpe em curso, explicou por que o MAB não reconhece o novo governo, falou da necessidade de defender a democracia e os direitos sociais, de questionar o atual sistema político e deu exemplos sobre como os atingidos sofrerão diretamente as consequências das mudanças na legislação ambiental.

Ele repudiou a postura do ministro golpista Sarney Filho que, apesar de não acompanhar a assinatura do termo de conformidade para a Samarco voltar a operar em Mariana, não ampliou a participação dos atingidos nas reuniões. “Este governo golpista repete e amplia o erro do anterior ao fazer conversas de portas fechadas, sem ouvir os atingidos. Onde estavam os que moram em Barra Longa e outras cidades da bacia? Por que só cinco pessoas no encontro se somente as comissões em Mariana tem mais 30 pessoas? Se ele quer realmente revisar o acordo tem que ter participação popular”, afirmou Thiago.

A reunião seguiu com a representante da Samarco, a advogada Roberta Guasti Porto, respondendo às reivindicações apresentadas no encontro anterior. Diante dos presentes, ela reafirmou o critério do adiantamento dos R$20.000,00 conforme está na liminar dada em favor dos atingidos na Comarca de Ponte Nova, deslocamento físico com perda material. Imediatamente, os presentes reclamaram do tanto de famílias que ainda não receberam. Ficou encaminhado que o MAB fará o levantamento das famílias, entregará para a Samarco para imediato cumprimento do critério.

Outro tema debatido foi sobre a ampliação do cartão subsistência. O autoritarismo e a desorganização da empresa na cidade deixaram muitas pessoas sem o direito de receber o salário mínimo, mais 20% por dependente e o valor de uma cesta básica. Após muitas mobilizações dos atingidos, a empresa ampliou mais de 100 cartões na cidade e esta semana vai entregar novos, sobretudo para famílias que foram atingidas nos quintais.

Outra reivindicação atendida, que, embora sendo direito básico e universal, foi tema de debate durante muitas reuniões.  Até 04 de julho todos os pedidos feitos pelos atingidos no escritório da empresa em Barra Longa terão resposta por escrito. Questionada sobre o prazo para cumprir, Roberta afirmou que é preciso ter tempo para organizar porque somente em Barra Longa a empresa registrou mais de 10 mil manifestações.

“Estamos discutindo há meses esta questão. È inacreditável. Isto viola o direito à informação. As respostas sobre cartão, indenização e outras questões, até agora, eram dadas por telefone, com número confidencial sem que os atingidos pudessem retornar. Ter um documento assinada é direito básico de cada cidadão”, lembra Thiago.

 

Moradores da Rua 1º de Janeiro paralisam obras por tempo indeterminado

            Famílias que moram na região em que as obras estão paralisadas por causa de descumprimento de acordo feito entre empresa e comunidade, reafirmaram que não irão recuar. Edmilson Silva fez um desabafo sobre a situação da rua e pediu que a empresa tome providências.

“Desde dezembro estamos reclamando sobre nossos problemas. No dia que minha filha nasceu eu não pude sair com segurança de minha casa para levar minha mulher no hospital. Isto já tem mais de 60 dias e até agora, nada”, denunciou Edmilson, lembrando que das 11 casas atingidas na rua, apenas duas estão sendo reformadas. Nesta quinta-feira (19), os moradores farão uma reunião com a Samarco. A pauta principal será a ampliação do muro gabião para toda extensão do rio dentro da cidade.

Estiveram na reunião o Procurador da República Edmundo Antônio Dias, o Promotor de Justiça Paulo César de Lima, coordenador da Coordenadoria e Inclusão e Ações Sociais (Cimus), também representada pelo técnico Luiz Tarcísio. O próximo encontro será no dia 8 de junho.