Atingidos pela barragem da Samarco (Vale\BHP Billiton) organizados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Barra Longa, situada a 70 km de Bento Rodrigues, paralisaram hoje, por volta do meio dia, as obras da mineradora na rua 1º de Janeiro, um dos locais afetados pela lama na cidade.

Os moradores resolveram embargar a obra depois que a empresa descumpriu acordo feito em reuniões com a comunidade. Odete Cassiano (58), moradora da rua e militante do MAB, conta que estava fazendo trabalho de base do movimento quando os moradores resolveram chamar a engenheira responsável e convidá-la a se retirar.

“Foi um ato organizado, sem confusão, mas deixamos o nosso recado. A empresa se comprometeu a fazer o muro gabião para garantir a segurança dos quintais em toda a extensão do rio dentro da cidade. E descumpriu. Em nossa rua, estão apenas jogando pedras. Eu perdi 3 metros de quintal, alguns dos meus vizinhos só restam 3 metros agora”, conta indignada.

Após o rompimento da barragem de Fundão, o rio do Carmo ficou extremamente assoreado e começou a alargar suas margens engolindo quintais e casas. Um processo que não acabou. A Samarco agiu de forma autoritária dizendo que iria fazer o que ela determinou, mas os moradores não recuaram. “As coisas não funcionam assim. Eles estão trabalhando em nossos quintais e vão fazer as coisas conforme nós decidimos. Até os trabalhadores nos apoiaram dizendo que era nosso direito e que finalmente iam poder sair do sol quente”, comenta Odete.

“A Samarco tem dito que nós desrespeitamos, somos agressivos com os trabalhadores. Isto é um absurdo inaceitável. Eles são testemunhas de como priorizamos o diálogo e a organização. Quem é autoritária é ela que, após destruir a cidade, quer impor como vai ser a reparação”, comenta Thiago Alves, membro da coordenação do MAB em Minas Gerais que desde a tragédia mora na cidade acompanhando os atingidos.

Após a saída dos trabalhadores terceirizados, os moradores se reuniram e decidiram paralisar também as reformas de casas até que a mineradora volte a negociar e amplie o muro gabião para toda região atingida. Nesta quarta-feira (18), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realiza reunião com a Samarco na Câmara de Vereadores com a presença do Ministério Público para debater esta e outras questões pendentes.