Sarney Filho (PV- MA), ministro do Meio Ambiente do governo golpista de Michel Temer fez sua primeira grande agenda oficial na manhã desta segunda-feira (16), em Mariana. O objetivo era sobrevoar a região atingida pelo rompimento da barragem da Samarco (Vale\BHP Billiton) e se reunir com pessoas convidadas às 10h no Gabinete do prefeito Duarte Júnior. Na Câmara dos Deputados, ele coordenou a Comissão Externa que tinha como finalidade investigar as circunstâncias e as conseqüências deste que foi a maior tragédia da mineração global.

A divulgação da agenda foi feita de forma discreta, somente por um jornalista da região, no final da semana passada. Para evitar protestos contra os golpistas e contra quaisquer novas manobras que excluam a participação dos atingidos e favoreça a Samarco, tudo foi feito sem publicidade.

 No final da noite de ontem, várias pessoas entre professores universitários e ambientalistas foram convidados para se encontrarem com o ministro, mas ouvindo que a reunião era de caráter sigiloso. Alguns destes, entendendo que era importante não legitimar mais um processo autoritário, se recusaram a ir ao encontro. Participaram somente 5 atingidos, além de vereadores de Mariana e a alta diretoria da Samarco.

Um dos temas debatidos na visita foi o retorno das operações da Samarco Mineração, em Mariana. O Prefeito Duarte Júnior se comprometeu a assinar o termo de conformidade que facilitará o retorno das atividades.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) não foi convidado para nenhum encontro e, tão pouco, o conjunto dos atingidos estava sabendo ou foram mobilizados para se inteirarem dos objetivos e das decisões da visita, um direito básico de todos já que o que está em debate é o futuro de suas vidas. Rechaçamos, mais uma vez, a tentativa da Prefeitura de Mariana, da Samarco e do Governo Federal, agora sob um comando golpista, de discutir em gabinetes e em reuniões fechadas o futuro da recuperação de tantos danos causados em toda a bacia do Rio Doce.

Para o MAB, a retorno do funcionamento da empresa deve estar condicionado a, pelo menos, três requisitos: garantia da segurança dos trabalhadores, das trabalhadoras e das comunidades próximas; conseguir estancar de forma definitiva a lama que desce rumo ao Rio Doce e ampliar e garantir o direito dos atingidos em toda a bacia.

Consideramos que esta decisão não pode estar vinculada apenas a anuência da Prefeitura de Mariana. Deve ser estendida ao conjunto dos municípios atingidos, sobretudo estes onde as populações sofrem, a centenas de quilômetros, com os impactos dramáticos que fizeram perder a renda dos moradores e destruir sonhos e projetos de vida.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) reafirma que não reconhece o governo golpista de Michel Temer que anuncia medidas que retiram direitos e precarizam, ainda mais, a leis ambientais favorecendo grandes empresas, como a Samarco.

Consideramos que qualquer processo sério de reparação deve envolver o conjunto dos atingidos, especialmente mulheres e jovens, a começar pelos que estão na zona urbana e na zona rural de Mariana, os moradores de Barra Longa e Rio Doce que convivem com graves impactos sociais e ambientais, até chegar a Regência, no Espírito Santo. As comissões e representações instituídas só terão resultado em seus esforços se isto acontecer, desdobrando-se em organização e autonomia.

 Continuaremos a luta contra o golpe e contra os desmandos e autoritarismos que pioram a condição dos atingidos e impedem que eles sejam protagonistas da reconstrução de suas vidas em toda a bacia do Rio Doce.


 

Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

Águas para a vida! Não para a morte!