Na busca de compreender melhor os grandes desafios que o povo brasileiro enfrenta atualmente, atingidos pela Samarco (Vale/BHP Billiton) na cidade de Barra Longa (MG) participam do Curso de Realidade Brasileira. O CRB, como é conhecido, acontece mensalmente nas dependências da Escola Nacional de Energia Popular (ENEP), na cidade de Viçosa (MG).

O CRB é uma escola itinerante organizada por membros de movimentos sociais e sindicais do campo e da cidade que desde 2001 busca resgatar valores, a identidade e a estima do povo brasileiro por meio de grandes pensadores do país como Darcy Ribeiro, Caio Prado Junior, Paulo Freire. Contempla temas como educação, formação econômica do Brasil, questão agrária, questão energética, Reforma Política, entre outros. 

A atingida pela barragem da Samarco, Rayssa Ferreira, destaca a importância deste momento de reflexão para ela e para sua comunidade. “Estar aqui neste ambiente tão bonito, tão perto da natureza e discutindo temas tão importantes para todos nós é algo muito importante. E agora vamos levar o que aprendermos aqui para transmitir para nossos familiares e amigos e fortalecer nossa esperança de reconstruir nossa cidade”, afirma Rayssa.

Também atingido pela barragem de Fundão, Fafá da Barra, ficou animado com as perspectivas do curso. “Foi muito bom estar com esta juventude pensando em como vamos mudar a sociedade, buscar novos caminhos. E com esta experiência vamos fortalecer a organização envolvendo mais gente e pensando a recuperação de Barra Longa no longo prazo”, comenta Fafá.

A 2ª Turma do Curso de Realidade Brasileira em Viçosa ainda terá mais oito módulos, um por mês com dois dias de duração cada um. Em cada etapa os participantes dividirão o tempo entre estudar os temas propostos e fazer trabalhos de mutirão para contribuir na construção da ENEP. 

A ENEP é uma iniciativa de diversas organizações sociais no sentido de construir um espaço onde os trabalhadores possam realizar cursos dos mais diversos e criar experimentos populares na produção de alimento saudável, em alternativas de energia limpa e sustentável, entre outras tecnologias que favoreçam o empoderamento, tudo feito no trabalho voluntário. A escola funciona em terreno de 23 hectares, em parceria de comodato com a Arquidiocese de Mariana.

Para Ilma Albergaria, atingida pela Samarco e também militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), participar desta experiência é muito gratificante. "Espero poder fazer todos os módulos e contribuir mais na organização dos atingidos”, afirma Ilma.